domingo, 3 de abril de 2011

A FILOSOFIA DO DIÁLOGO EU – TU

Elias Penteado Leopoldo Guerra
Nos raros momentos em que a autenticidade profunda de um vai ao encontro da autenticidade profunda do outro, ocorre a memorável "relação Eu-Tu” a que se referia Martin Buber, o filósofo existencialista. Esse mútuo encontro, profundo e pessoal, não acontece muitas vezes, mas pode-se estar convencido de que, se não acontece, não somos seres humanos.

O fundamental é, pois, estar consciente, perceber o outro, mas, mais do que isto, é aceitar todas as potencialidades do outro; se elas são aceitas num processo de transformação, neste caso pode-se confirmar ou tornar reais as potencialidades do outro.

Todos tem potencialidades que permitem se desenvolver e evoluir. No encontro, a verdadeira relação pessoal, recíproca e autêntica, pode tornar realidade as potencialidades do outro e, reciprocamente, tornar efetivas minhas próprias potencialidades. Assim o aluno “ensina” o professor.

Embora se refiram a ocorrências do passado, o foco é a vivência, a experiência real do relacionamento atual, no “aqui e agora”. Não fiquemos, pois, presos ao passado, pois diante de nós está sempre ocorrendo uma nova experiência que envolve outro ser humano. Portanto deve se estar sempre atento, em estado de consciência, aceitando a realidade, percebendo as coisas e pessoas como elas são e não como gostariamos que fossem.

Realiza-se no contato com o Tu, torna-se Eu dizendo Tu, isto é o encontro. No começo dos tempos o que existia era a relação entre seres humanos. Com toda a seriedade da verdade pode se afirmar que o ser humano não pode viver sem o “Isso”, isto é, as coisas, mas quem vive somente com o “Isso,” não é um ser humano.

“Nenhum líder vai nos dar paz, nenhum governo, nenhum exército, nenhum país. O que nos vai dar paz é a transformação interior que nos conduzirá à ação exterior. A transformação interior não é isolamento, desistência da ação exterior. Ao contrário, só pode haver a ação correta quando há o pensamento correto e não existe pensamento correto quando não existe autoconhecimento. Sem conhecer a si mesmo, não existe paz.” (Krishnamurti)

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