quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Sem Luz (nem brilho) no Fim do Túnel

Texto: Henrique Cesar - Jornal Costa Azul

Todo cidadão ubatubense aprende desde muito cedo criticar, opinar e prescrever medidas sobre a situação de seu bairro, de sua cidade e a solução para a temida “sazonalidade”, que nada mais é do que vivermos só de “temporada”. Se fossem tomadas notas sobre cada opinião expressa (no Facebook por exemplo), teríamos as mais variadas teorias, das mais realizáveis às mais absurdas. E como isso é saudável, não?

Agora, voltando um pouco mais no âmago das críticas, partidarismos e ideologias, é preciso muitas vezes voltar também à questão primária: Por que somos governados?
A linha mais comum adotada pelos estudiosos sociais nos dá o seguinte e bem resumido panorama:

Somos governados, porque o homem, em sua essência é um ser social. Todavia, mesmo sendo social, o “bicho homem” é extremamente individualista e injusto nos seus princípios, buscando sempre o melhor para si e não se importando com as conseqüências que se desdobrem e aflijam seus semelhantes. De acordo com Thomas Hobbes (1588-1679), autor do primeiro tratado específico sobre o assunto, a obra Leviatã, os homens precisam ser governados, quer seja por um soberano ou por uma assembléia, a fim de que se garanta a “segurança social”, onde o mais forte não abuse do mais fraco e onde os aflitos possam ser assistidos em seus infortúnios sempre que necessário, a fim de se manter o equilíbrio natural da sociedade. Vindo quase que a completar sua obra, Jean Jacques Rousseau (1712-1778) desenvolve em sua obra O Contrato Social uma particular e reveladora visão da vida em sociedade, onde os homens, percebendo a necessidade de se viver em sociedade, abririam mão de certos poderes como o de vingança, de punição, de fiscalização e de julgamento à autoridade social competente, a fim de assim se promover a justiça social. Ou seja, ao viver em sociedade, “o homem confia, mediante um contrato a defesa de seus interesses individuais por homens iguais a ele encarregados de promover e resguardar o bem comum”. Dito isto, algumas perguntas devem ser respondidas:

Quem são os homens e mulheres que hoje garantem nossos direitos como cidadãos e cidadãs pagadores de impostos e pessoas de bem?

Ao começar pela apologia feita às drogas alucinógenas pelas pessoas que hoje nos governam, os temores até do mais liberal munícipe já começam e aumentar. Ora, se ao conduzir um veículo eu não posso ter meus sentidos entorpecidos por sequer um copo de cerveja, por que raios seria mais seguro ter minha cidade governada por homens e mulheres que orgulhosamente se intoxicam com um chá potencialmente poderoso, alucinógeno e adulterador dos sentidos? Chá esse inclusive personagem central num caso de assassinato que chocou o país, o assassinato do cartunista Glauco?

O que dizer de uma cidade em que a Fundação da Criança e do Adolescente, local que deveria por excelência acolher e oferecer abrigo às crianças socialmente fragilizadas, mas que na verdade as tortura, com socos, chineladas e punições físico-psicológicas desumanas? O que esperar de crianças já punidas pelo infortúnio da falta dos pais, de uma família e de um lar que são tratadas pelos nossos governantes “na base da porrada”?
Como confiar nossas mulheres e crianças para a prática de esportes nas instalações e dependências pagas com o nosso bolso administradas por um homem que se auto intitula “massagista” e que responde pelo crime de abuso sexual?

Como confiar nossos “interesses coletivos” nas mãos de um homem investigado por fraudar a contratação de, vejam vocês, AMBULÂNCIAS que deveriam levar e trazer nossos munícipes que fazem tratamento nefrológico e oncológico? Esse mesmo homem hoje é alvo de uma investigação por deixar os pacientes à mercê de vans velhas, com documentos atrasados e pneus carecas.

E por falar em saúde, é muito difícil para qualquer um de nós assistir na televisão uma mulher que deveria trabalhar esmeradamente para a evolução e melhora de nosso tratamento de saúde rir diante das câmeras, se orgulhando de que o local denunciado pela reportagem não chegava nem perto do estado caótico de outros postos de saúde espalhados pelo município.

O que esperar da abjeta e imoral forma com que nosso ÚNICO HOSPITAL está sendo “administrado”? Onde um suposto “provedor” emprega parentes, e, cego pela ganância e motivos ainda nebulosos assedia moralmente as pessoas que durante todos esses anos mantiveram aquele hospital mais humano e funcional: As voluntárias. Pessoas que já trabalharam uma vida inteira e abnegadamente doam seu tempo e experiência às pessoas que ali fragilizadas pelas enfermidades, encontram nessas voluntárias o refrigério na alma e a humanidade de que tanto precisam. Esse incompetente e obscuro “provedor” decidiu demonizar as voluntárias e expulsá-las das dependências da Santa Casa da forma mais covarde e desumana possível.

Pois é, caros leitores. A história está recheada de exemplos de civilizações inteiras que desapareceram pela incompetência, corrupção, desonestidade e imoralidade de seus governantes. Por aqui, eles prometiam “brilho” para Ubatuba. No atual cenário, resta rogar aos céus ao menos uma luz no fim do túnel de três anos que ainda vamos amargar, se, é claro, o Sol da justiça não raiar antes.    

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